Com o objectivo de avançar na nossa reflexão sobre o "employer branding", começo este segundo post resgatando do tinteiro uma das minhas maiores convicções sobre esta questão: “(…) um bom começo para fazer "employer branding" será recordar que os nossos empregados valorizar-nos-ão pelo que fazemos e não pelo que dizemos. "Walk the talk e tudo irá melhor".
Desde o meu ponto de vista, seria conveniente ressaltar a palavra “começo” do parágrafo anterior, se o que nos propomos seguidamente é circunscrever o conceito do "employer branding" a um contexto económico e empresarial como o que nos ocupa. Em Espanha, ainda hoje, não se sente no sector uma verdadeira preocupação por utilizar estratégias efectivas de "employer branding" que possam contribuir, de uma forma global, à melhoria dos resultados de negócio. Na minha opinião, a razão para tanto imobilismo tem a ver com um erro de conceito. Em muitas empresas segue-se considerando o investimento em políticas de "employer branding" uma despesa sem retorno; não se entende o conceito, nem existe uma crença (ao contrário do que ocorre em outros países, como nos Estados Unidos) que sustente que uns trabalhadores motivados reportarão sempre maiores benefícios a uma empresa que outros, cuja única conexão com esta é a estabilidade laboral conferida. Neste sentido, as empresas familiares costumam fazê-lo melhor que as grandes companhias.
Neste contexto, penso que seria um erro de simplicidade responsabilizar unicamente ao tecido empresarial por esta situação. Uma crença pessoal é que se as companhias espanholas - hoje em dia e à diferença de outros países - seguem desviando a vista quando se trata de empreender políticas potentes de "employer branding" é porque o mercado espanhol ainda o permite. Isto acontece porque, em geral, quando os profissionais se mostram pouco exigentes no momento de seleccionar as empresas onde querem trabalhar. Além disso, esta situação costuma agravar-se num momento de crise, como o actual, onde as aspirações máximas de um profissional costumam passar por conseguir um posto laboral estável. No entanto, o valor da marca da empresa não é avaliado da mesma maneira, segundo os diferentes níveis da pirâmide empresarial. Para os profissionais que se movem entre os postos mais altos da hierarquia pertencer a uma companhia com uma política de "employer branding" reconhecido costuma ser um must à hora de empreender qualquer processo de mudança.
Neste sentido, e sobretudo num cenário tão concreto como o da Alta Direcção, é onde Espanha mais se aproxima de outros mercados “mais sofisticados”, como podem ser o de Estados Unidos ou Grã-Bretanha. Não foram poucas as ocasiões em que, durante a minha viagem pelo estrangeiro, encontrei candidatos que recusaram ofertas porque os seus valores não estavam em linha com os da empresa recrutadora, ou porque escutaram algum comentário negativo a respeito desta. A existência de rankings anuais, como o da revista Fortune, que lista às 100 melhores empresas para trabalhar no mundo, é uma prova adicional de que nestes países o "employer branding" é uma estratégia importante. Assim, e se incidimos outra vez na ideia central de ambos artigos, para praticar uma estratégia de "employer branding" que funcione não é suficiente acreditar nela. Como já dissemos, "o caminho demonstra-se andando", e, por isso, penso que, em Espanha, ainda estamos longe de entender porque é que um piloto de uma companhia aérea poderia chegar a aceitar carregar malas para trabalhar numa empresa (neste caso real, Southwest Airlines).
Como conclusão, e voltando de novo à palavra “começo”, considero que, em Espanha, a melhor maneira de avançar neste tema deveria vir unida, por um lado, a uma maior sofisticação do mercado laboral (os candidatos deveriam ser mais exigentes com a empresas) e, por outro, a uma maior confiança das empresas no "employer branding". Se trabalhamos para que os nossos empregados desempenhem a sua actividade com motivação, eles trabalharão para que a nossa empresa seja mais competitiva. Actuando deste modo, a solução à equação proposta sempre será uma garantia: WE WIN.